Tecnologia e conscientização são armas contra Aedes aegypti, apontam especialistas

18/02/2016 - Agricultura


Ana Amélia, presidente da CRA, e Wellington Fagundes, presidente da Comissão Senado do Futuro, presidiram a audiência pública conjunta

Tecnologia e conscientização são armas contra Aedes aegypti, apontam especialistas

Há armas disponíveis na batalha contra o Aedes aegypti, mas investir em mais pesquisa para ganhar a luta é essencial. Essas são algumas das conclusões apresentadas por especialistas e senadores durante audiência pública promovida nesta quinta-feira (18) pelas comissões de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e Senado do Futuro (CSF).

Para o senador Wellington Fagundes (PR-MT), que propôs o debate, o país está diante do maior desafio da saúde pública nas últimas décadas. Um documento será elaborado pelo parlamentar, a ser encaminhado pelas duas comissões para os órgãos do governo responsáveis pelo combate ao mosquito.

Os debatedores apontaram que bioinseticidas, mosquitos geneticamente modificados e bactérias que infectam insetos, são algumas das armas disponíveis no mercado para combater o Aedes aegypti. Mas, segundo eles, para contar com essa artilharia em seu arsenal é preciso que o Brasil invista em pesquisa e estimule parcerias entre universidades, instituições de pesquisa e empresas. Também é fundamental a continuidade dos métodos tradicionais de combate ao inseto e mais ainda: a promoção permanente de ações e campanhas contra o mosquito transmissor da dengue, zika, chicungunha.

O presidente da Comissão Senado do Futuro e outros participantes do debate, como a presidente da CRA, senadora Ana Amélia (PP-RS), criticaram o relaxamento de medidas de contenção do mosquito nos últimos anos, o que teria levado à multiplicação de casos de dengue. Problemas de saneamento básico também foram levantados.

— Precisamos de uma política constante não só hoje, mas de médio e longo prazo de combate ao mosquito — disse Wellington.

Tecnologias

Durante a audiência, a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Rose Monnerat apresentou o Inova-Bti, uma nova geração de bioinseticidas. De acordo com ela, o produto é capaz de matar as larvas do mosquito Aedes aegypti sem prejudicar a saúde das pessoas e dos animais domésticos. Todos os testes laboratoriais e de eficácia já foram concluídos pela Embrapa, mas o produto precisa ainda ser registrado junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de ser produzido em larga escala.

Esse é o segundo inseticida biológico desenvolvido pela Embrapa com o objetivo de combater as larvas do mosquito. Desde 2005, está no mercado o Bt-horus, feito em parceria com a empresa Bthek Biotecnologia. Segundo Rose Monnerat, ambos os produtos são eficazes contra o mosquito.

O Bt-horus foi usado pela primeira vez em 2007 em São Sebastião, no Distrito Federal, em uma campanha que uniu a Embrapa, o governo distrital e a população local no combate ao mosquito transmissor da dengue.

Os resultados de acordo com a pesquisadora foram excelentes: o índice de infestação na região, que era de 4% caiu para menos de 1%, considerado aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).  Ela enfatizou, contudo, que o produto em si não resolve o problema: é preciso engajar a população no combate ao vetor das doenças.

— A vantagem do produto é que é específico para matar a larva do mosquito. Ele tenta equilibrar uma praga que está desequilibrada, mas não é só o produto. É preciso trazer a população para perto. Fazer campanhas — apontou.

Esforço conjunto

Para João Manuel Cabral, chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, a audiência pública promovida pelo Senado deixa claro que ferramentas contra o mosquito transmissor da zika existem, mas falta coordenar os esforços.

— Nós temos as ferramentas e podemos desenvolvê-las e integrá-las de forma inteligente para obter o resultado imediato no controle dos vetores. Mas o grande sucesso que foi a experiência em São Sebastião foi devido ao envolvimento da população — avaliou.

Várias frentes

Para Bergmann Morais Ribeiro, pesquisador da Universidade de Brasília, é preciso atacar o mosquito em várias frentes. Além do uso de bioinseticidas, ele defendeu o uso de mosquito transgênico e de uma bactéria como armas contra o zika.

Ele mencionou o sucesso de testes com o mosquito transgênico, tecnologia da empresa britânica Oxitec. A fêmea fecundada pelo inseto geneticamente modificado produz um ovo infértil. A técnica teria conseguido reduzir em mais de 80% a quantidade de larvas do mosquito Aedes aegypti espalhadas por um bairro de Piracicaba (SP). Outros testes já foram feitos no Brasil e no mundo.

O uso de uma bactéria — Wolbachia — também foi exaltado por Ribeiro. Essa técnica faz com que ovos de mosquitos fêmeas infectados não choquem. Mas é preciso dinheiro para desenvolver as tecnologias.

— As várias balas de prata vão aparecer e você pode atacar em várias frentes. Mas precisamos de apoio, de editais competitivos e direcionados para trabalhar com Aedes — argumentou.

O diretor-presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Florindo Dalberto, elogiou as iniciativas e defendeu o estímulo a parcerias entre instituições públicas de pesquisa, empresas e setor produtivo no combate ao mosquito.

Tecnologia e conscientização são armas contra Aedes aegypti, apontam especialistas

Fonte: Agência Senado e Assessoria de Imprensa


Mais notícias:

9 de nov
Farsul e Federarroz entregam demandas ao ministro da Agricultura
O presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, e o vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Ferreira, apresentaram ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, demandas do setor para equiparar os custos de produção no Brasil, aos dos países do Mercosul.…

8 de nov
Senadora garante apoio à demanda dos produtores brasileiros de cebola
A senadora Ana Amélia (Progressistas-RS) vai solicitar o apoio dos ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, do Planejamento, Dyogo Oliveira, e da Agricultura, Blairo Maggi, ao pedido da Associação Nacional dos Produtores de Cebola (ANACE) para aumentar de 10% para 35%…

Acompanhe NOSSO TRABALHO
nas redes sociais

Receba novidades e informações no seu e-mail