Homenagem aos 70 anos da FAO rende aplausos às conquistas do Brasil no combate à fome

13/10/2015 - Agricultura


Sessão solene, nesta terça-feira, ocorreu por iniciativa da senadora Ana Amélia

70 anos da FAO são celebrados em sessão solene no Senado

O Brasil foi apontado nesta terça-feira (13), no Senado, durante sessão especial no Plenário que celebrou os 70 anos de criação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), como exemplo de país que alcançou sucesso no combate à fome e à pobreza extrema. Nos seus discursos, parlamentares e convidados destacaram conquistas que resultaram de políticas de incentivo ao desenvolvimento rural, do apoio à pesquisa e à extensão agrícola e pecuária e ainda de programas de inclusão social como o Bolsa Família.

A senadora Ana Amélia (PP-RS), que propôs a homenagem, disse que celebrar os 70 anos da FAO era também um momento para reconhecer os avanços da agricultura brasileira.  Ela destacou a contribuição de cada agricultor, do pequeno ao grande produtor, e dos cooperativados. Também ressaltou o papel das entidades representativas do setor agrícola, assim como dos pesquisadores da Embrapa e das universidades, esses pelas novas tecnologias e processos de produção.

A FAO atua como um fórum neutro, em que todos os países se reúnem em igualdade de condições para negociar acordos, debater políticas e impulsionar iniciativas estratégicas. Atualmente, o organismo tem 194 Estados membros e é dirigida pelo brasileiro José Graziano da Silva. Ele não pode estar presente, mas enviou um vídeo e foi representado pelo líder da entidade no Brasil, Alan Bojanic.

Primeira a falar na cerimônia, a senadora Ana Amélia destacou o protagonismo do Brasil na produção de comida para alimentar os milhões de brasileiros e os milhões de cidadãos do planeta. Graças a essa produção, ressaltou a senadora, “vem registrando um aumento da expectativa de vida dos brasileiros, porque a comida é de boa qualidade”.

A parlamentar gaúcha ressaltou a importância do Código Florestal nesse contexto. Disse que  poucas nações possuem uma legislação tão completa e tão democraticamente discutida. A senadora enfatizou ainda o papel do trabalhador na produção do alimento que chega até a mesa do brasileiro.

— O cidadão vê uma maçã bonita ou um tomate bonito na gôndola do supermercado, do armazém ou da feira, mas não tem ideia de por quantas mãos aquele produto passou para chegar até lá. Nós não pensamos, quando o nosso prato de arroz, feijão e carne ou macarrão está na nossa frente, no que tudo aquilo representa — acrescentou.

— Cada agricultor brasileiro, seja um assentado, seja um pequeno agricultor da agricultura familiar, seja um médio agricultor, seja um agricultor cooperativado, seja um grande produtor, e cada entidade que aqui está representada e que está comprometida com esse setor tão dinâmico têm participação direta no desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira, cada vez mais competitiva — disse.

Ana Amélia lembrou que, mesmo nestes tempos de crise econômica ou política, a agricultura brasileira tem conseguido se destacar, contribuindo decisivamente para engordar nosso Produto Interno Bruto, alcançando resultados positivos da balança comercial, com superávits sucessivos e safras recordes. Em 2015/2016, a produção deve ultrapassar 209 milhões de toneladas.

— Temos contribuído, assim, para alimentar, em primeiro lugar, os brasileiros e também a população mundial, que deve chegar a 9 bilhões de pessoas no ano de 2050. Os desafios, como se sabe, continuam enormes e extremamente relevantes — completou, ressaltando ainda a importância de continuar com investimentos em tecnologia e inovação e do papel de pesquisadores, engenheiros agrônomos, meteorologistas e demais envolvidos no setor.

A parlamentar ainda defendeu a ampliação da cobertura do seguro agrícola e citou dois projetos de sua autoria que contemplam o setor rural: o PLS 354/2014, prevendo a utilização do Manual de Crédito Rural nas operações de renegociação para evitar cobranças indevidas por parte das instituições financeiras e viabilizar o pagamento das dívidas rurais; e o PLS 330/2011, que estabelece um marco legal para dar mais segurança ao sistema, seja aos integrados ou aos integradores, no compartilhamento da solidariedade e também das responsabilidades na área dos investimentos e na comercialização do produto.

Conhecimento

O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) observou que o desafio é ainda mais preocupante quando se sabe que a população não vai parar de crescer, chegando a 12 bilhões em 2100, sendo a África três vezes mais populosa que hoje, segundos estudos recentes. Para o senador, o conhecimento será a chave para a solução do problema e, nesse contexto, graças à ciência e à tecnologia, o Brasil hoje é referência, com avanços crescentes de produtividade.

— E isso, como já foi dito aqui, preservando as nossas florestas. O Brasil preserva mais de 50% das nossas florestas. Só a Amazônia, que corresponde a 61% do território nacional, preserva 83% das suas florestas —salientou Raupp.

A senadora Regina Souza (PT-PI) reconheceu que o Brasil vem vencendo o desafio de garantir comida e matar a fome da população. Observou, contudo, que outros permanecem, como a necessidade de garantir a qualidade da produção. A seu ver, isso compreende a questão do controle e seguro de agrotóxicos. Também mencionou a necessidade de evitar desperdícios na produção e, ainda no contexto alimentar e nutricional, o problema novo da obesidade.

— Precisamos cuidar disso, porque tem tudo a ver com a alimentação, principalmente das crianças — cobrou, mencionando inclusive a alimentação nas escolas.

Fórum neutro

Dirigida atualmente pelo brasileiro José Graziano, a FAO foi a primeira organização especializada da ONU. Sediada em Roma, lidera programas internacionais de erradicação da fome e da insegurança alimentar. Apoia países em desenvolvimento com a formulação e execução de políticas e projetos de assistência técnica nas áreas agrícola, alimentar, de desenvolvimento rural, florestal e pesqueira. Também atua como fórum neutro em que os países se reúnem para negociar acordos, debater políticas e impulsionar iniciativas estratégicas. Conta hoje com 194 países membros.

Preso a compromissos em Roma, José Graziano enviou um vídeo que foi exibido na abertura da sessão, em que agradece a homenagem prestada à organização. Aproveitou ainda a oportunidade para pedir que o Brasil, apesar da crise que enfrenta no momento, não interrompa projetos de cooperação que presta a países mais pobres por meio da FAO. Para ele, essa crise é passageira e será vencida.

— Não podemos, nesse momento de dualidade, virar as cotas para países com os quais cooperamos. Os recursos utilizados na cooperação internacional são muito pequenos à luz da sua enorme importância para garantir um futuro melhor para todos — assinalou no vídeo.

Para ele, a celebração das conquistas alcançadas pela entidade nos seus 70 anos deve ser acompanhada da constatação de que ainda há muito o que fazer. Observou que cerca de 800 milhões de pessoas ainda passam fome e enfrentam desnutrição em todo o mundo. Porém, disse que esse problema pode ser superado ainda no curso da atual geração.

— Temos as ferramentas para isso. Teremos que tornar a agricultura e os sistemas alimentares mais sustentáveis e inclusivos e mais adaptáveis às mudanças do clima — reforçou.

O vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), que abriu a solenidade, passando depois o comando para Ana Amélia, disse que a exibição da mensagem de Graziano, pela força do conteúdo, foi a melhor forma de abrir a homenagem à FAO.

“Vergonha”

O representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, afirmou que a permanência de números relativos a pessoas com fome, em qualquer lugar, é uma “vergonha para a humanidade”. No Brasil, disse que a boa notícia é que, desde o ano passado, o país não faz mais parte do mapa da fome das Nações Unidas. Como explicou, isso significa que menos de 5% da população brasileira está nesse estado.

— Mas já não é um problema estrutural, e sim de focalizar nos grupos mais vulneráveis que ainda existem. Já não é um problema endêmico da sociedade brasileira — explicou.

Bojanic salientou que, na década de 2000, a entidade apoiou a implementação dos programas Fome Zero e Bolsa Família. Disse que tais políticas inclusivas convergiam com as metas e os objetivos traçados pela Cúpula Mundial de Alimentação, de modo coerente com abordagens do programa de combate à fome da FAO. A seu ver, o Brasil é um grande exemplo de sucesso.

— A FAO parabeniza o país por todos os esforços implementados nos últimos anos para acabar com a fome. As iniciativas têm-se destacado no âmbito internacional, e muitas nações estão interessadas em conhecer os projetos e os programas brasileiros. E a nossa organização tem atuado como um fio condutor para levar essas experiências a outros países.

Heróis Verdes

A sessão especial serviu também de oportunidade para a entrega, pela FAO, do prêmio Heróis da Revolução Verde Brasileira a gestores e pesquisadores do setor agropecuário. Esse é o terceiro ano em que a premiação é concedida a dez personalidades que, pela sua trajetória, contribuíram para que o Brasil fosse capaz de atender à demanda de alimentos de sua população e ainda se tornar um grande provedor para o restante do mundo.

Na premiação, a FAO atua em parceria com a Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e a Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa). Todas as entidades participaram da sessão especial, com representação na mesa e manifestações da tribuna em homenagem ao organismo da ONU.

A Embrapa foi representada por seu presidente, Maurício Lopes.  Pela Andef, participou o diretor-executivo, Eduardo Daher; e pela Abag, o vice-presidente, Francisco Maturro.  Entre os que integraram mesa estavam ainda José Mário Schreiner, que representou a Confederação Nacional da Agricultura, e Rogério Abdalla, diretor de Operações da Companhia Nacional de Abastecimento.

Os agraciados com o prêmio Heróis da Revolução Verde foram: Alberto Duque Portugal, pesquisador da Embrapa; Carlos Clemente Cerri, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP; Geraldo Sant'Ana de Camargo Barros, professor e pesquisador da USP; Heitor Cantarella, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas; Lourival Carmo Monaco, presidente da Fundecitros; Luiz Otávio Campos da Silva, pesquisador da Universidade de Viçosa.

Dois agraciados não puderam comparecer: Ruy de Araújo Caldas, que dirige um dos programas de pós-graduação da Universidade Católica de Brasília; e José Aroldo Gallassini, presidente da Agroindustrial Cooperativa (Coamo), a maior cooperativa agrícola do país.



Fonte: Agência Senado e Assessoria de Imprensa


Sessão solene do Senado celebra os 70 anos da FAO



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