Especialistas destacam necessidade de investimentos e parcerias para a pesquisa agropecuária

23/08/2017 - Agricultura


Diretor da Embrapa destacou projeto da senadora Ana Amélia que cria fundos patrimoniais para impulsionar pesquisas

Especialistas destacam necessidade de investimentos e parcerias para a pesquisa agropecuária

Tanto o setor público quanto o privado precisam investir mais em pesquisa agropecuária. Essa foi a opinião dos especialistas ouvidos nesta quarta-feira (23) em audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). A intenção foi avaliar a Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária, os problemas nesse setor e os desafios para a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio. A audiência foi presidida pela senadora Ana Amélia (PP-RS) e depois pelo senador Waldemir Moka (PMDB-MS).

O presidente do Conselho Nacional das Entidades Estaduais de Pesquisa Agropecuária (Consepa), Florindo Dalberto, destacou a atuação das Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuária (Oepas) no sistema nacional. Para ele, essas organizações têm maior capilaridade e capacidade de articulação com entidades locais e integração tecnológica com outras entidades estaduais de pesquisa.

A crise financeira dos estados, no entanto, prejudica essas instituições, que precisam se reinventar para manter o funcionamento. Para Dalberto, é preciso combater o excesso de processos burocráticos que atrapalha a inovação. A agricultura do Brasil, disse, é grande demais para depender apenas de um sistema público, burocrático e que não responde corretamente aos desafios na área.

— Precisamos estar preparados nas nossas instituições, remodelá-las, fazer com que eles se redesenhem completamente, modernizar de uma maneira propostitiva porque o mundo lá fora está correndo e quem não correr está ficando para trás — alertou.

Parcerias

De acordo com Edmir Celestino Ferraz, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Brasil investe apenas 1,8 % do PIB agropecuário em pesquisa e desenvolvimento agrícola, média menor que a da maioria dos países em desenvolvimento.  O PIB da agropecuária é a quantidade de riqueza que esse setor gera em um ano. A iniciativa privada, afirmou, contribui com apenas 47% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Na China, por exemplo, o índice é de 75%.

Tanto Ferraz quanto o senador Waldemir Moka concordam ser preciso ampliar os investimentos privados na área e firmar parcerias. O problema, segundo o senador, são as resistências a essa mudança.

— Você fala nisso e dizem: querem privatizar a Embrapa, como se a Embrapa não pudesse gerar uma receita. Ora, nós geramos pesquisas tão importantes. Por que não fazer essa parceria? —questionou o senador.

O diretor-executivo de Transferência de Tecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Cleber de Oliveira Soares disse que um dos principais objetivos da entidade é aprovar a criação da EmbrapaTec, subsidiária vinculada à Embrapa que pode levar para a cadeia produtiva tecnologia desenvolvida pela empresa e por parceiros estaduais. A atividade seria complementar à da Embrapa para desenvolver parcerias e negócios em mercados competitivos, a partir da exploração comercial das inovações da empresa. O texto que cria a subsidiária está na Câmara dos Deputados.

Para Soares, a falta de recursos públicos para investimento em ciência e tecnologia gera a necessidade de novos modelos, como a Embrapatec. As instituições públicas não têm condições de terminar produtos e entregar ao mercado.

— Nós precisamos fazer o escalonamento, precisamos fazer o acabamento dessa tecnologia e a inciativa privada está aí para isso. A Embrapatec pode ser, e acredito que vá ser o braço tecnológico do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária que vai levar, junto coma iniciativa privada, isso para a ponta — afirmou.

Fundos patrimoniais

O diretor da Embrapa elogiou o projeto que prevê a criação de fundos patrimoniais para instituições de ensino e pesquisa de nível superior, de autoria da senadora Ana Amélia, aprovado nesta semana no Senado, na Comissão de Assuntos Econômicos. Ele destacou a iniciativa como uma “ideia fantástica que pode representar uma nova modelagem para o empoderamento do sistema de pesquisa agropecuária no Brasil”.

Em artigo recente, publicado no jornal Correio Braziliense, o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, também apoiou essa proposta como forma de gerar “recursos adicionais aos projetos de pesquisa”.

Especialistas destacam necessidade de investimentos e parcerias para a pesquisa agropecuária

Avaliação

A audiência faz parte da avaliação de políticas públicas instituída em 2013 no Senado para fortalecer o papel fiscalizador da Casa. De acordo com o texto, cada comissão permanente do Senado tem que eleger, até o último dia útil do mês de março, uma política pública por ano para avaliação. Ao final da sessão legislativa, a comissão apresenta relatório com as conclusões da avaliação realizada. O relatório da CRA sobre a pesquisa agropecuária será feito pela senadora Ana Amélia.


Fonte: Agência Senado e Assessoria de Imprensa


Diretor da Embrapa elogia projeto que cria fundos patrimoniais


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