Distribuição de 'laringe eletrônica' pelo SUS é defendida em audiência na CAS

14 de set - Saúde


Pacientes buscam meios para acessar equipamento que permite retomar a fala

Distribuição de 'laringe eletrônica' pelo SUS é defendida em audiência na CAS

Pessoas acometidas por câncer de laringe que tiveram o órgão retirado e, consequentemente, perderam a fala, podem voltar a se comunicar de forma relativamente barata com um equipamento chamado “laringe eletrônica”. A distribuição gratuita do aparelho pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foi defendida durante audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) nesta quinta-feira (14).

O tema chegou ao Senado Federal após um encontro de representantes da Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG) com a senadora Ana Amélia (PP-RS). Por estar sediado em Santa Catarina, a parlamentar gaúcho encaminhou a demanda ao senador Dalírio Beber (PMDB-SC). Juntos, eles apresentaram pedido para realização de audiência pública para debater o tema.

Com atuação destaca no Senado Federal na proposição de projetos de lei para prevenção e combate ao câncer, Ana Amélia destacou que o fornecimento da laringe eletrônica pelo SUS é garantir o direito da comunicação aos pacientes de câncer de boca e garganta.

— A combatividade ACBG me impressionou. Pude conhecer mais a causa das pessoas acometidas pelo câncer de boca e garganta. Apoio integralmente o pedido para que o SUS forneça o equipamento. É necessário um olhar mais atento para compreender os problemas enfrentados por essas pessoas, cujo grande desejo é se comunicar com os amigos e familiares — disse Ana Amélia.

O equipamento, segundo a vice-presidente da ACBG custa em torno de R$ 1,7 mil, podendo chegar a R$ 1,3 mil, dependendo da negociação. Ele é posicionado externamente próximo à garganta da pessoa operada, que tem um buraco na traqueia por onde respira, e produz uma “voz robótica, mas perfeitamente compreensível. Melissa destacou que a laringe eletrônica quebra um silêncio de anos e reinsere o cidadão na sociedade.

— É uma voz que não tem entonação, não consigo me emocionar, brigar, cansa um pouco os ouvidos, mas é uma voz possível, que quebra um silêncio de anos de vários laringectomizados. Posso não gostar, não me identificar com ela, mas ela é necessária — afirmou Melissa, usuária do produto importado por ela dos Estados Unidos há três anos.

A ACBG já fez o pedido de inserção à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), mas ainda não obteve resposta. O representante do Ministério da Saúde, Sandro Martins, afirmou que o processo deve ser analisado em breve pelos especialistas e, na opinião dele, não deve ter uma tramitação complicada na comissão, já que os preços não são exorbitantes.

— A tecnologia é disponível e de segurança e eficácia bastante conhecidas. Vai, pelos custos e pelo tempo de existência, ter impacto orçamentário modesto, frente a outras incorporações que são vistas na comissão. Não antevejo que haja uma trajetória muito difícil — observou.

Prevenção

A fonoaudióloga da ACBG, Luciara Giacobe, explicou que anualmente são acometidos por câncer de laringe cerca de 7.350 cidadãos, sendo 6.360 homens e 990 mulheres, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Desse total, 4.141 morrem, quase sempre esperando pela radioterapia, que é rara e falha no SUS, disse.

Os sobreviventes, que perdem a voz, passam a respirar por um buraco na traqueia chamado estoma. Eles enfrentam problemas para engolir alimentos, dificuldades respiratórias e de olfato, problemas emocionais e alteração na qualidade de vida. Não poderão nunca mais, por exemplo, tomar banho de piscina ou de mar, já que há risco de a água entrar pelo estoma, causando pneumonia e outras complicações.

Luciara defendeu o investimento em políticas públicas de prevenção, já que a causa do câncer de laringe quase sempre é externa: fumo, bebidas alcoólicas e infecções pelo vírus do HPV. Sugeriu ainda palestras nas escolas, campanhas nacionais e pediu a aprovação de um projeto do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) que cria o Dia Nacional do Laringectomizado em 11 de agosto.


Fonte: Agência Senado e Assessoria de Imprensa


Mais notícias:

14 de dez
Aprovada validade nacional para receitas de medicamentos
O projeto que dá validade nacional às receitas médicas e odontológicas de medicamentos foi aprovado em definitivo pelo Congresso Nacional no último dia 6. A iniciativa passou pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e agora segue para sanção presidencial. A senadora Ana…

6 de dez
Política de preços dos medicamentos será debatida no Senado
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, nesta quarta-feira (6), o requerimento da senadora Ana Amélia (Progressistas-RS) para que sejam discutidos os critérios da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) na definição do preço dos fármacos.  A presidente…

CAS aprova regulamentação da profissão de esteticista e cosmetólogo
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira (6) o substitutivo da senadora Ana Amélia (Progressistas-RS) à proposta que regulamenta a profissão de esteticista e cosmetólogo. O PLC 77/2016 segue para o Plenário do Senado. Pela proposta, a regulamentação não trata…

Acompanhe NOSSO TRABALHO
nas redes sociais

Receba novidades e informações no seu e-mail