Debatedores contestam corte no orçamento do seguro rural

11/03/2016 - Agricultura


Audiência da Comissão de Agricultura, presidida pela senadora Ana Amélia, destacou necessidade de mudanças no sistema

Debatedores contestam corte no orçamento do seguro rural

Participantes da audiência realizada pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), nesta sexta-feira (11), em Não-Me-Toque (RS), contestaram o corte no orçamento do seguro rural para este ano. Além disso, defenderam a criação de um modelo sustentável de seguro agrícola que garanta não só o custeio da safra, mas também a renda do agricultor em caso de prejuízos na lavoura.

A presidente da CRA, senadora Ana Amélia (PP-RS), ressaltou que um seguro agrícola que garanta também a renda do produtor é fundamental diante das instabilidades climáticas e políticas que o país enfrenta. A senadora afirmou que a agricultura é um setor dinâmico, produtivo, inovador e o único que está gerando dados positivos em plena crise econômica brasileira.

— Ficou claro que é inaceitável o corte do governo nos valores destinados ao seguro rural, reduzindo a subvenção de R$ 741 milhões para R$ 400 milhões. Vamos trabalhar na criação de uma proposta que dê segurança e estabilidade à atividade rural, setor fundamental para a economia brasileira — enfatizou a senadora.

A parlamentar gaúcha destacou que os assuntos abordados durante o debate servirão de base para uma nova proposta para o seguro agrícola no país. Ana Amélia ressaltou ainda que a política pública do governo em relação ao seguro agrícola será avaliada este ano pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, tendo o senador Wellington Fagundes (PR-MT) como relator.

Corte nos recursos

Ana Amélia foi autora da emenda que havia garantido mais recursos para o seguro agrícola neste ano. O valor aprovado de R$ 741,6 milhões, no entanto, foi reduzido para R$ 400 milhões, o que motivou protestos de participantes do debate desta sexta-feira em Não-Me-Toque.

— R$ 400 milhões é praticamente nada. É insignificante. Precisamos pelo menos voltar para os R$ 741 milhões — protestou Flávio Enir, representante da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná.

Flávio destacou que o seguro agrícola está sendo tratado como prioridade nos principais países desenvolvidos e lamentou que o Brasil tenha apenas um percentual mínimo de produtores com a produção assegurada.

Percentuais altos

O diretor do Departamento de Crédito, Recursos e Riscos da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Vitor Augusto Ozaki, argumentou que os percentuais de subvenção estavam muito altos e por isso foram feitos cortes. Para ele, o governo tem que ajudar os produtores na medida certa.

— Devemos dar uma colher do remédio e não o pote todo senão prejudicaremos os produtores — disse.

Ozaki afirmou que o Ministério pretende trabalhar para ajudar o produtor em todos os setores da atividade e massificar o máximo possível o seguro com os R$ 400 milhões disponibilizados.

A diretora-executiva da AgroBrasil, Laura Emília Dias Neves, ponderou que as regras do seguro agrícola devem ser claras e definidas antes da safra, ainda no pré-custeio. Laura destacou também que as seguradoras devem considerar as variedades de culturas existentes no campo.

Ajuda mútua

Para o representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul, Carlos Joel Silva, o governo não deve considerar que ajuda o agricultor sem ter uma contrapartida. Segundo Carlos, o produtor também ajuda o governo, dando um retorno favorável para a economia do país.

Carlos Joel destacou que o seguro agrícola é importante para o governo e deve ser visto como um investimento, já que incentiva os produtores a continuarem trabalhando e gerando renda.

Já o presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Wady José Mourão Cury, reiterou a questão climática, que apresenta muitas mudanças repentinas e acaba incidindo diretamente no resultado obtido pelo produtor.

— Nós temos seca em alguns estados, chuva em excesso em outros, granizo, vento. Se para vocês, produtores, o seguro rural é uma garantia, para nós das seguradoras também é um sinônimo de proteção. Sem ele não é possível dar continuidade e sustentar este programa que é extremamente necessário — declarou.

Expodireto-Cotrijal

Esse foi o segundo ciclo de palestras e debates da Comissão de Agricultura de 2016, sendo o quinto ano consecutivo que ele é realizado dentro da programação da Expodireto-Cotrijal. Nos anos anteriores, foram debatidos temas como logística, assistência técnica e extensão rural e emplacamento de máquinas agrícolas, que resultaram em ações concretas para melhorar o setor.

— Tivemos resultados expressivos nos outros debates realizados aqui na Expodireto. Esperamos que o de hoje também traga avanços, pois precisamos de um seguro que traga segurança e estabilidade para toda a cadeia produtiva brasileira — declarou o presidente da Cotrijal, Nei Mânica.

A Expodireto-Cotrijal é uma das principais feiras do agronegócio internacional, movimentando os setores de máquinas e equipamentos para agropecuária, produção vegetal e animal, pesquisa, agricultura familiar, serviços, instituições financeiras e entidades.

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Fonte: Agência Senado e Assessoria de Imprensa


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