Debate na Comissão de Agricultura revela preocupação com defesa sanitária nas fronteiras

22/10/2015 - Agricultura


Presidente da CRA, senadora Ana Amélia alertou que é preciso cuidado com produtos vindos de fora

Debate na Comissão de Agricultura revela preocupação com defesa sanitária nas fronteiras

Deficiências no controle das fronteiras ampliam o risco de entrada de pragas e doenças que afetam lavouras e criações de animais, conforme destacado em debate nesta quinta-feira (22) na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).

— O Brasil não é uma ilha, está cercado de países que são produtores de alimentos que importamos. Muitas coisas entram sem controle, entram por contrabando. É um cuidado que tem que ser redobrado — resumiu a senadora Ana Amélia (PP-RS), presidente da CRA.

Mesmo o controle sobre produtos importados é falho, disse Ana Amélia. Isso, segundo ela, resulta no abastecimento do mercado interno com alimentos que podem ter sido produzidos com o uso de agrotóxicos proibidos no Brasil.

— Muitas frutas que importamos da China, da Argentina têm componentes químicos que estão proibidos no Brasil. Por que são proibidos aqui e aceitamos comprar fruta que vem de fora, correndo o risco de introduzir aqui pragas que já foram erradicadas? — questionou a senadora.

Os senadores Dário Berger (PMDB-SC) e Donizeti Nogueira (PT-TO) também alertaram para a gravidade da situação.

— Temos poucos fiscais, pouca estrutura e temos que fazer mais com menos, mas precisamos fazer o mínimo necessário para garantir a sanidade animal e vegetal — frisou Berger.

O senador por Santa Catarina é relator da avaliação da política de defesa sanitária agropecuária, uma das prioridades da CRA em 2015.

Exportações

A importância da vigilância sanitária para a exportação de produtos agropecuários foi destacada por Edilene Cambraia Soares, da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O agronegócio, segundo informou, responde por 42% das exportações brasileiras, sendo o país o maior exportador mundial de carne bovina, café, açúcar, suco de laranja e frango. Em 2012, disse ela, as exportações do agronegócio atingiram US$ 95,8 bilhões.

Para Dário Berger, os avanços da participação do Brasil no mercado mundial e o acirramento das disputas comerciais aumentam as preocupações com a entrada de pragas e doenças no país.

— Santa Catarina é o único estado livre da febra aftosa sem vacinação, é um ganho extraordinário que não podemos colocar em risco — observou, ao comentar disputas no mercado mundial de carne bovina.

Parcerias

Frente às dimensões territoriais do país e à extensão das fronteiras, Ana Amélia ressaltou a necessidade de parceria dos estados, como o serviço realizado pelos fiscais federais agropecuários mantidos pela União.

Nesse sentido, Ronaldo José Ribeiro, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, destacou a importância do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa).

Coordenado pelo governo federal, esse sistema visa à simplificação e à racionalização dos procedimentos de vigilância sanitária, com atenção a diferenças de abordagens entre grandes empreendimentos agrícolas e a produção artesanal.

— Como é um sistema de participação voluntária, só 11 estados estão aderindo ao sistema — lamentou a senadora pelo Rio Grande do Sul.

Agrotóxicos

No debate, os senadores Blairo Maggi (PR-MT) e Waldemir Moka (PMDB-MS) afirmaram que a produção de alimentos saudáveis é uma exigência do mercado e um objetivo perseguido pelos produtores rurais.

— Se quisermos fazer agricultura no nosso clima tropical, não tem jeito de abrir mão dos agroquímicos. Eu gostaria muito, como produtor, de produzir e não gastar um centavo com isso. Mas temos que fazer uma opção: ou vamos produzir usando esses produtos, ou deixamos de produzir e as consequências serão muito maiores — disse Maggi.

Sobre o assunto, Roberto Faria de Sant'Anna, consultor Jurídico do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal, citou pesquisa mostrando que 40% da produção agrícola mundial são perdidas pelo ataque de pragas.

— A agricultura brasileira é tropical, clima ideal para o desenvolvimento das pragas. Em países de clima temperado, a neve faz o controle natural — disse o consultor.

Fonte: Agência Senado e Assessoria de Imprensa


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