CRE reúne-se com comandante da Aeronáutica para tratar do impacto do ajuste fiscal na pasta

13/08/2015 - Relações Exteriores


Senadora Ana Amélia participou da reunião nesta quinta-feira

CRE reúne-se com comandante da Aeronáutica para tratar do impacto do ajuste fiscal na pasta

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) realizou nesta quinta-feira (13) uma audiência com o comandante da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro-do-ar Nivaldo Luiz Rossato. O oficial foi indagado pelos senadores especialmente sobre o impacto da restrição orçamentária e suas consequências para os programas desenvolvidos pela pasta.

A estratégia de defesa do país é a política pública que vem sendo analisada pela CRE durante todo o ano e cujo relatório está a cargo do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Rossato fez uma explanação detalhada de todos os planos prioritários da Aeronáutica, mas admitiu que os detalhes quanto ao impacto das restrições financeiras deverão ser tratados com uma equipe técnica.

Ficou acertado que Ferraço fará uma reunião de trabalho, em data ainda a ser definida, para tratar do assunto. A reunião será aberta à participação dos demais senadores.

O tenente-brigadeiro adiantou que as prioridades da pasta já vêm sendo reequacionadas, sob a lógica de não se extinguir nenhuma ação. Garantiu que tanto a Força, quanto o Ministério da Defesa e as empresas privadas associadas aos projetos trabalham minuciosamente com cenários eventuais de atrasos na execução dos programas, buscando minimizar o impacto sobre a geração ou eliminação de postos de trabalho e as estratégias de inserção no mercado internacional.

Um dos pontos tratados durante a reunião foi a crise na Petrobras, que reduziu drasticamente seu plano de investimentos para os próximos anos, o que tem impacto direto sobre a indústria de helicópteros. A Aeronáutica coordena, associada a empresas privadas, o suprimento de modelos apropriados à extração de petróleo na camada pré-sal.

Caças suecos

Respondendo à questão do senador Jorge Viana (PT-AC), Rossato disse acreditar que chegará o momento em que as Forças Armadas deverão definir qual de suas áreas será a prioritária, pois ainda impera uma tendência homogênea entre Marinha, Exército e Aeronáutica.

Jorge Viana deixou claro que vê no século 21 o combate aéreo como o grande diferencial na geopolítica da guerra, situação que no entender de Rossato já é clara desde a Guerra do Golfo.

O militar destacou a compra de 36 modelos Gripen, o caça sueco, num projeto que, no total, está gerando 2.300 empregos diretos e outros 14.650 postos indiretos de trabalho. Destacou ainda as condições vantajosas de pagamento que o país conseguiu na negociação com a Suécia, a transferência de tecnologia e a alta qualidade dos caças.

Em outro aspecto, Rossato admitiu que o país está muito atrasado, segundo suas próprias palavras, "uns 40 anos", no que tange à defesa espacial.

— Nas áreas cibernética e nuclear, vamos bem, mas na espacial precisamos de mais objetividade por parte de todos os atores envolvidos — reconheceu.

Ele informou que o país trabalha apenas com satélites alugados, e um novo Centro de Operações Espaciais começará a funcionar no ano que vem em Brasília.

O militar adiantou que a prioridade da Aeronáutica é o estímulo à produção de satélites de órbita baixa, também por razões econômicas, uma vez que é o que melhor se coaduna com as necessidades da indústria do agronegócio, entre outras.

CRE reúne-se com comandante da Aeronáutica para tratar do impacto do ajuste fiscal na pasta

O senador Ricardo Ferraço chamou atenção ainda para o atraso no programa KC 390, os jatos militares desenvolvidos pela Embraer.

— A empresa perde mercado por causa do caos nas contas públicas, provocando desemprego e perda de divisas — alertou, uma vez que a diminuição dos investimentos do governo federal foi a principal razão para a queda de dinamismo na produção.

O comandante da Aeronáutica foi indagado ainda pelos senadores sobre a facilidade com que o crime organizado consegue introduzir drogas e armas em nosso território. Rossato admitiu que é "muito difícil" e "muito caro" controlar mais de 16 mil quilômetros de fronteiras, a maior parte com vegetação.

— Nem os Estados Unidos, com toda a tecnologia que têm e apenas um quinto da nossa fronteira com vegetação, conseguem controlar o que entra do México — destacou, alertando ainda que tudo depende das estratégias de inteligência, dos controles feitos também pela polícia e pela Receita Federal e dos sistemas espaciais e de controle do tráfego aéreo.

Indagado pela senadora Ana Amélia (PP-RS), Rossato disse estar tranquilo quanto às estratégias que vêm sendo desenvolvidas para os Jogos Olímpicos Rio 2016, lembrando que o trabalho feito durante a Copa do Mundo de Futebol de 2014 foi "uma grande escola", com resultados avaliados como "excelentes" em todos os quesitos.

Ana Amélia, que presidiu parte da audiência, também questionou sobre temas como a regulamentação do uso de drones no Brasil e a possibilidade de usar a infraestrutura da base militar em Santana do Livramento de forma compartilhada para operações com aeronaves militares e aeronaves civis, a exemplo de Santa Maria, para que a comunidade regional da Fronteira Oeste possa ter atendida uma importante demanda no setor logístico. Sobre esse assunto, apesar de não especificar o caso de Santana do Livramento, o comandante disse que utilizar simultaneamente aviação militar e aviação civil não é problema, desde que o volume de tráfego aéreo não seja muito grande.


Fonte: Agência Senado e Assessoria de Imprensa


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