CRE aprova nomes de embaixadores para o México e o Catar

12/06/2015 - Relações Exteriores


Senadora Ana Amélia participou das sabatinas de Enio Cordeiro e Roberto Abdalla

CRE aprova nomes de embaixadores para o México e o Catar

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) aprovou nesta terça-feira (9) as indicações da presidente da República para duas embaixadas do Brasil. Enio Cordeiro teve o nome aprovado para o cargo de embaixador brasileiro no México, e Roberto Abdalla, para o cargo no Catar.

Indicado para a embaixada do México, Enio Cordeiro também já teve o nome aprovado no dia seguinte pelo Plenário do Senado. Na terça-feira, na sabatina, ele citou dados discrepantes fornecidos pelos governos do Brasil e do México a respeito do Comércio Exterior. Segundo o indicado, dados brasileiros apontam um déficit de US$ 1,7 bilhão para o Brasil. Estatísticas mexicanas, no entanto, apontam déficit de apenas R$ 250 milhões.

O embaixador falou, ainda, sobre a dependência que o México tem da economia norte-americana, já que os Estados Unidos absorvem 80% das exportações daquele país. Ele também citou a expectativa de um acordo de livre comércio com o Brasil, cujas negociações devem começar no mês que vem. Para ele, há uma resistência entre empresários mexicanos, motivo que já frustrou a realização de acordos antes.

— Para o Brasil sempre causou estranheza, nos últimos anos, essa curiosa resistência do setor industrial  e sobretudo do setor agrícola do México, contrário à negociação de um acordo de livre comércio com o Brasil — lamentou.

O indicado afirmou que o Brasil e os demais países do Mercosul mantêm um diálogo com a Aliança do Pacífico, bloco que reúne México, Chile, Colômbia e Peru. O objetivo é a densificação das relações econômicas entre os dois blocos, com a ampliação de acordos de livre comércio. Segundo o embaixador, o Brasil já tem acordos amplos com todos os países do bloco, exceto o México. Questões relativas ao Mercosul e à Aliança do Pacífico foi tema de questionamentos feitos pelos senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Imigrantes

Durante a sabatina, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) pediu a atenção do embaixador para a entrada de imigrantes brasileiros nos Estados Unidos via México, enganados pelos chamados coiotes. O embaixador disse que há, sim, um aumento de casos, mas afirmou ser contra a obrigatoriedade de visto entre o Brasil e o México.

Questionado pela Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) sobre os índices de pobreza no México, o embaixador ressaltou a área social como um campo importante para a troca de experiências com o país latino.

O presidente da comissão, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), elogiou documento entregue pelo indicado com um plano de trabalho para a embaixada.

Catar

Segundo o indicado para a embaixada do Brasil no Catar, Roberto Abdalla, a balança comercial entre os dois países ainda é desfavorável ao Brasil, com déficit de US$ 295 milhões de dólares. O Brasil é responsável por apenas 1,3 % das importações do Catar, ocupando a 18ª posição no comércio com aquele país. Os principais produtos exportados para o país muçulmano são carne e minerais.

— É preciso identificar nichos e envidar esforços para aumentar a presença brasileira na pauta catariana de importações — constatou.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou que o Brasil pode se beneficiar da experiência educacional do Catar, que “importou” várias universidades. O embaixador destacou que o país fez uma opção clara de se tornar um centro mundial de conhecimento, já que o petróleo e o gás têm prazo para acabar.

O senador Helio José (PSD-DF) citou a necessidade de ampliar o intercâmbio turístico com o Catar.

Ana Amélia (PP-RS), por sua vez, questionou o que tem sido feito pelo Brasil para cooperar com a organização da Copa do Catar, como havia sido prometido pela presidente Dilma Rousseff. A senadora também lembrou a possibilidade de que haja mudanças na sede após denúncias de irregularidades na Federação Internacional de Futebol (FIFA). As denúncias envolvem a escolha da Rússia, para 2018, e do Catar em 2022.

O embaixador afirmou que ainda é cedo para saber que rumo as investigações vão tomar. Sobre a cooperação para a organização do evento, afirmou que o país do oriente médio tem grande experiência na organização de eventos, mas pode se beneficiar com o conhecimento do Brasil na área de segurança da Copa.

Experiência

Enio Cordeiro é ministro de primeira classe do Ministério das Relações Exteriores. Desde o início da carreira trabalhou, entre outras funções como diretor do Departamento de América do Sul, de 2004 a 2007; Subsecretário-Geral de América do Sul, Central e do Caribe e Coordenador Nacional do Mercosul, Ministro-Conselheiro na Missão junto à ONU, em Nova York, e Embaixador do Brasil em Buenos Aires.

Também ministro de primeira classe, Roberto Abdalla foi vice-cônsul e cônsul-adjunto em Nova York; primeiro-secretário na Embaixada em Londres chefe da divisão do Oriente Médio; Embaixador junto ao Estado do Kuait e, cumulativamente, junto ao Reino do Barein. Também foi diretor do Departamento do Serviço Exterior do MRE.

Outras indicações

Na mesma reunião, foram lidos os relatórios referentes a duas outras indicações. Marcelo Crivella (PRB-RJ) leu seu relatório à indicação de Arthur Henrique Villanova Nogueira, para o cargo de Embaixador do Brasil na República Islâmica da Mauritânia. Gleisi Hoffmann (PT-PR), por sua vez, proferiu seu relatório sobre indicação de Carlos Antonio Da Rocha Paranhos para a embaixada do  Brasil no Reino da Dinamarca e cumulativamente, na República da Lituânia.

Os dois relatores julgaram que há elementos suficientes para que os candidatos sejam sabatinados. Os indicados ainda terão de passar por sabatina e ser aprovados na comissão antes que os nomes sejam votados em Plenário.


Fonte: Agência Senado e Assessoria de Imprensa


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