Brasil deve liderar saída para crise do Mercosul, dizem participantes de audiência

12/11/2015 - Relações Exteriores


Senadora afirmou que o objetivo inicial do bloco foi desvirtuado

Brasil deve liderar saída para crise do Mercosul, dizem participantes de audiência

O Brasil deve liderar a busca pela superação da crise do Mercosul, que está completando 25 anos. Esse é o entendimento dos participantes da audiência pública, realizada nesta quinta-feira (12), pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Embora tenham apresentado diagnósticos diferentes sobre a origem dos problemas enfrentados pelo bloco criado pelo Tratado de Assunção, em 1991, os participantes da audiência coincidiram no entendimento de que, sem uma posição firme do Brasil, dificilmente eles serão superados.

Durante o debate, a senadora Ana Amélia (PP-RS) enfatizou que o Mercosul perdeu o sentido original, que era a complementaridade entre os países, transformando-se numa feroz concorrência em todas as áreas. Segundo a parlamentar gaúcha, agora que a Argentina fez uma opção pela China, o país, especialmente o Rio Grande do Sul, sofre todas as consequências dessa competição. De acordo com a parlamentar, o que era para ser um beija-flor, a ideia original do bloco, transformou em um morcego.

Um dos convidados do debate, Regis Arslanian, que foi embaixador no bloco por muitos anos, reconheceu que o Mercosul "está passando por uma de suas piores crises". Ele ressaltou que o Brasil é "a locomotiva" da integração regional e avaliou que se o Mercosul hoje não funciona, é porque o Brasil não quer.

Rubens Barbosa, que foi embaixador brasileiro no Reino Unido e nos Estados Unidos, atribui a crise à decisão dos sócios de transformar o Mercosul num fórum de discussão política e social. Para ele, enquanto prevalecer "essa visão ideológica, será difícil mudar o Mercosul". Barbosa defendeu a recuperação da visão original do bloco, restabelecendo a prioridade econômico-comercial.

Inflexão

Presidente do capítulo Brasil do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal), o consultor empresarial Roberto Giannetti da Fonseca afirmou que "o Mercosul está num ponto de inflexão" porque se aproxima o segundo turno da eleição presidencial na Argentina. No próximo dia 22, o governista Daniel Scioli enfrentará o oposicionista Maurício Macri, apontado como favorito pelas pesquisas eleitorais.

Giannetti notou que Macri revelou sua intenção de fazer uma imediata mudança no Mercosul, que, segundo ele, coincide com o desejo dos exportadores brasileiros. O oposicionista, conforme o consultor, pretende transformar o Mercosul de uma união aduaneira em área de livre comércio, como é o Nafta, mantido por Canadá, Estados Unidos e México.

A alteração, se efetivada, livrará o Brasil de amarras, como a tarifa externa comum, que o impede de decidir com autonomia, de forma isolada, as alíquotas nas relações com outros parceiros comerciais fora do Mercosul.

— Na hora em que nós transformamos o Mercosul em um acordo de livre comércio, nós continuaremos com zero de alíquota entre nós [sócios do bloco], mas cada um poderá praticar extrarregionalmente as alíquotas que preferir — acrescentou.

Isolamento

O senador Tasso Jarereissati (PSDB-CE) concordou com Giannetti, mas atribuiu o isolamento do Brasil no comércio internacional a uma visão equivocada do governo brasileiro. Para que as mudanças aconteçam, segundo o parlamentar, é preciso que o governo brasileiro também esteja aberto a essas iniciativas.

— Não vai adiantar nada a Argentina mudar, se nós não mudarmos. Afinal de contas, nós somos ainda e seremos sempre o país mais forte e preponderante dentro do Mercosul — disse o senador.

Autor do requerimento da audiência pública, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) acusou o governo de omissão quanto à reformulação do Mercosul, que considerou importante para o Brasil. Para ele, o governo deve liderar o processo de refundação de cláusulas e protocolos do bloco.

A audiência foi presidida pelo senador Lasier Martins (PDT-RS).


Fonte: Agência Senado e Assessoria de Imprensa


Ana Amélia destaca que objetivo do Mercosul foi desvirtuado


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