Aprovadas indicações para Embaixadas no Iraque e na China

14/07/2015 - Relações Exteriores


Senadora Ana Amélia participou da sabatina na Comissão de Relações Exteriores, nesta terça-feira

Aprovadas indicações para Embaixadas no Iraque e na China

Os três maiores desafios à sobrevivência do Iraque estão interligados: a carência de infraestrutura e serviços básicos; a divisão entre os grupos étnicos e religiosos; e a insurgência do grupo radical Estado Islâmico, que ocupa algumas regiões do país. A afirmação é do diplomata Miguel Júnior França Chaves de Magalhães, que teve sua indicação para embaixador do Iraque aprovada nesta terça-feira (14) pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e posteriormente pelo Plenário do Senado. Já o diplomata Roberto Jaguaribe Gomes de Mattos foi aprovado para assumir o cargo de embaixador do Brasil na China e Mongólia.

— O quadro é no mínimo instável para o governo, e cruel para a população, mas a tradição do povo iraquiano e de suas elites é de superação, disse Miguel Júnior, para quem o Brasil tem condições de ampliar suas vendas de alimentos, produtos de defesa e serviços ao Iraque.

Em resposta ao senador Cristovam Buarque (PDT-DF) Miguel Júnior disse que não vê dificuldades, além das condições de segurança, de incentivar a volta de empresas brasileiras ao Iraque, onde muitas obras de infraestrutura foram executadas pela Mendes Júnior e Petrobras. ele afirmou ainda que o Brasil desempenha um papel fundamental na defesa dos direitos humanos, e que os votos do país nos organismos internacionais têm sido nesse sentido.

Em resposta ao senador Lindbergh Farias (PT-RJ), Miguel Júnior disse que o Estado Islâmico surgiu do descontentamento da minoria sunita em relação ao governo central, contribuindo para isso o papel que os americanos exerceram na saída do Iraque, que criou um vácuo de poder preenchido pelos radicais.

Ascensão da China

Em sua exposição, Gomes de Mattos considerou que a China é um país “absolutamente fundamental” no novo cenário internacional. Ele destacou que a China mantém características peculiares, pois não há outro país no mundo que tenha assegurado a continuidade política, administrativa e cultural sobre um território delimitado desde a pré-história até os dias de hoje.

— A ascensão da China é um fenômeno da atualidade. A introdução da China no contexto realinhou uma quantidade de variáveis e mudou a concepção de algumas questões. A China passou de país periférico para ator fundamental, com maior capacidade de impacto no que o mundo poderá ser, mas continua sendo um país em desenvolvimento — afirmou.

Em resposta à senadora Ana Amélia (PP-RS), Gomes de Mattos disse que considera a criação do banco do Brics uma iniciativa “ainda pertinente e verdadeira”, independentemente da desproporcionalidade entre os países emergentes que o compõe no contexto econômico global.

A criação do banco, avaliou Gomes de Mattos, obedece a uma lógica que os países em desenvolvimento vêm imprimindo há algum tempo, que é a democratização maior na governança global. As reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e outras instituições não prosperaram, e essa descontinuidade favoreceu outras alternativas, sem que isso tenha diminuído a relevância e a relação positiva entre as instituições, afirmou.

Gomes de Mattos destacou que a China é hoje o maior comerciante do mundo, mantendo a capacidade de se inserir nas cadeias reprodutivas mais representativas dos EUA e Europa, mesmo sem acordos de cooperação para tal. Ele observou que a China mantém preocupação com a porção oeste de seu território, ocupada por população minoritariamente islâmica, e que o país apresenta abundância em recursos naturais, mas com demanda extraordinariamente elevada, que impõe desafios de natureza ambiental, inseridos na essência central das políticas locais.


Fonte: Agência Senado e Assessoria de Imprensa


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