Ana Amélia questiona silêncio da oposição em relação ao roubo nos fundos de pensão que penalizou trabalhadores

30/05/2017 - Geral


Senadora citou prejuízo no FGTS, de onde saiu recurso para BNDES conceder financiamento à JBS

Ana Amélia questiona silêncio da oposição em relação ao roubo nos fundos de pensão que penalizou trabalhadores

Em discurso na tribuna, nesta terça-feira (30), a senadora Ana Amélia (PP-RS) disse estar surpresa pelo fato de a oposição atacar a reforma trabalhista, mas silenciar sobre o roubo praticado contra trabalhadores nos fundos de pensão e também em relação ao prejuízo no FGTS, de onde saiu o recurso para o BNDES conceder financiamento à JBS.

— Há um silêncio, eu diria, sepulcral, em respeito ao que acontece com fraudes praticadas lesando interesses não só dos assalariados, da baixa remuneração do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e do uso desse recurso para financiar a JBS e os amigos do rei, que lesaram, sim, os trabalhadores — disse.

A senadora citou o artigo escrito pelo jornalista José Casado, publicado no jornal O Globo, ‘Frog’, de ‘From Goiás’, que comenta o silêncio dos sindicatos em relação à fraude da JBS com fundos de pensão. “É notável o silêncio tumular das entidades sindicais sobre episódios como esses e outros casos de roubo a mais de 41 milhões de trabalhadores na última década e meia”, escreveu o jornalista.

Confira o artigo na íntegra:

O Globo – José Casado - ‘Frog’, de ‘From Goiás’

Sindicatos silenciam em fraude da JBS com fundos de pensão

É notável o silêncio das entidades sindicais sobre roubos no FGTS e casos como o da JBS, que confessou propina a dirigentes de fundos de pensão para obter US$ 1 bilhão

Era uma ideia bilionária. Só faltava US$ 1 bilhão. Amigos que patrocinava no governo e no Congresso cuidaram para que fosse bem recebido no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, nos fundos de pensão da Petrobras (Petros) e da Caixa (Funcef ).

Era simples: o banco e os fundos das estatais pagariam US$ 1 bilhão por 12,9% das ações da sua companhia. Com o dinheiro, fecharia a compra de concorrentes nos Estados Unidos e na Austrália, dispensando bancos privados, que cobravam mais caro. Ganharia imunidade comercial e sanitária mundial, e poderia jogar como dono de um dos dois maiores açougues do planeta. Em pouco tempo, naquele primeiro semestre de 2008, Joesley Batista avançou no negócio da JBS com BNDES, Petros e Funcef. Deu-lhe o codinonome de “Prot”, abreviatura de proteína. Como seu irmão Wesley dizia, assim era o estilo “Frog” — acrônimo de “From Goiás”.

Na reta final das negociações, foi chamado pelo presidente da fundação da Caixa, Guilherme Lacerda. “Ele disse que eu deveria ter relacionamento próximo com Paulo Ferreira”, contou Joesley a procuradores federais. Ferreira era tesoureiro do Partido dos Trabalhadores. Lacerda lembrou-lhe que precisaria do aval dos sindicalistas dirigentes dos fundos das estatais. Eram “indicados por sindicatos” e respondiam ao PT.

Lacerda levou Joesley ao tesoureiro do PT. Ferreira estava de saída do cargo e o apresentou ao sucessor, João Vaccari. Combinaram: “Vaccari recomendaria as operações aos dirigentes sob sua influência, e a gente pagaria ao PT 1% do que conseguisse obter dos fundos.”

Os presidentes dos fundos também queriam. Militantes do PT, Guilherme Lacerda (Funcef ) e Wagner sindical Pinheiroà qual (Petros)Lula entregara integravam11 dos a 33 burocracia ministérios, além de postos-chave nas estatais e respectivos fundos de previdência, em partilha com PMDB , PP e PTB. Joesley contou ter acertado com os presidentes da Funcef e da Petros “1% para cada sobre o valor das operações da JBS com os fundos (das estatais), depois do “Prot’”. Os irmãos Batista puseram US$ 1 bilhão no bolso e multiplicaram negócios com os fundos das estatais. Lacerda e Pinheiro apostaram US$ 200 milhões da Funcef e da Petros no “Eldorado” de celulose dos Batista, cujo lastro eram fazendas de papel: alguns imóveis só foram comprados quatro anos depois dos aportes dos fundos, superavaliados em até 483%. Um deles é inviável aos eucaliptais, porque fica inundado seis meses por ano.

É notável o silêncio tumular das entidades sindicais sobre episódios como esses e outros casos de roubo a mais de 41 milhões de trabalhadores na última década e meia.

A maioria das vítimas é cotista do Fundo de Garantia — 68% têm renda de um salário. Investigações indicam perdas de 10% dos investimentos do FGTS em negócios suspeitos.

Há, também, 800 mil servidores endividados que ainda são depenados com taxas “extras” sobre empréstimos consignados. Além de 500 mil sócios dos fundos das estatais afanados nas aposentadorias e pensões.

As estranhas transações corroeram em 20 bilhões de dólares o patrimônio da Petros, Previ, Postalis e Funcef. Ontem, por exemplo, Lacerda e outros ex-dirigentes da Funcef se tornaram réus por fraude de 200 milhões de dólares com a empreiteira Engevix, condenada na Lava-Jato.

É eloquente o silêncio sindical.


Fonte: Agência Senado e Assessoria de Imprensa


Oposição silencia sobre roubo contra trabalhadores nos fundos de pensão , lembra Ana Amélia


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