Ana Amélia manifesta preocupação com surto de toxoplasmose em Santa Maria

28/06/2018 - Saúde


Doença foi tema de audiência pública na CDH

Ana Amélia manifesta preocupação com surto de toxoplasmose em Santa Maria

A senadora Ana Amélia (Progressistas-RS) manifestou, nesta quinta-feira (28), preocupação com o surto de toxoplasmose em Santa Maria. As autoridades ainda tentam identificar a origem do problema, mas recomendam que a população ferva a água para ingestão e preparo de hortaliças e preparem carnes cozidas. É recomendável ainda que os cidadãos lavem suas caixas d’água.

— É fundamental o envolvimento da comunidade e que as autoridades criem mecanismos de prevenção nesse processo – disse a senadora.

O surto em Santa Maria de toxoplasmose, uma doença provocada por um protozoário, é o maior já registrado no mundo. Até semana passada, tinham sido confirmados 569 casos. O maior surto até então era o do Paraná, em 2001, com cerca de 420 doentes. 

Audiência pública

O município gaúcho de Santa Maria precisa de ajuda do governo federal na definição de protocolos para atender, identificar e tratar doentes, para garantir os medicamentos adequados e para as campanhas de conscientização contra a doença. O apelo foi feito durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) que debateu o tema nesta quinta-feira (28).

Ainda não se identificou a fonte da doença, o que torna a contaminação pela água e por alimentos a hipótese mais provável. Sem essa correta identificação, não é possível cessar o ciclo, o que torna mais importante a atuação do Executivo nacional.

— A situação de Santa Maria serve de modelo e oportunidade para que o Ministério da Saúde estabeleça um protocolo para a doença, amplo, que diga respeito desde a prevenção aos insumos diagnósticos, e à disponibilização de medicamentos. Porque, a partir do protocolo, há uma exigência de provimento desses insumos, algo que não temos visto com naturalidade e rotina — explicou Alexandre Schwarzbold, médico infectologista do Hospital Universitário de Santa Maria.

Ana Amélia manifesta preocupação com surto de toxoplasmose em Santa Maria

Métodos de atendimento, rotinas de tratamento e fluxos, como a repetição de exames, foram soluções locais, pensadas e estruturadas com a colaboração dos gestores do município, mas há risco de não se conseguir manter os atendimentos por falta de recursos e apoio.

— Somos e fomos muito eficientes no manejo do surto, mas precisamos consolidar essa eficiência, não podemos ser eficientes sozinhos, precisamos de retaguarda para permanência dessa eficiência. Fica o pedido para que saia tudo do papel — disse Paula Martinez, médica infectologista.

O que causa preocupação entre os gestores e a comunidade médica é a contaminação das gestantes, já que a toxoplasmose passa para o feto e quase sempre leva à morte ou causa efeitos permanentes aos bebês, como danos neurológicos e cegueira.

Já são 50 gestantes confirmadas, 145 casos em investigação e cinco abortos contabilizados, e não há na cidade centros especializados para atender adequadamente aos bebês que nascerão com deficiência.  Nem mesmo o Hospital Universitário da cidade é reconhecido como especializado e de alta complexidade, o que dificulta a destinação de mais recursos, destacou a procuradora da República, Lara Caro.

Os debatedores ressaltaram a importância de ações de controle ambiental para conter a doença e evitar contaminação. Ações de higiene e limpeza, como fervura de água para eliminar os oocistos esporulados, que contêm os protozoários causadores da toxoplasmose, são básicas e precisam ser divulgadas para a população, mas até mesmo para isso faltam recursos. É preciso conscientização para ações simples como a limpeza de caixas d’água, para eliminar o lodo onde o causador da doença pode sobreviver.

A toxoplasmose não atinge somente as camadas mais carentes da população. São mulheres com ensino superior as mais infectadas, justamente as que consomem mais água e se alimentam de verduras e legumes, ou seja, quem tem mais informação e busca hábitos saudáveis, disse Jane Costa, médica infectologista.


Fonte: Agência Senado e Assessoria de Imprensa


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